Doutrina da Profecia “Al Nobuwah”
Os Profetas são emissários de Deus, em cumprimento da Vontade Divina. O Clemente selecionou entre os homens, aqueles de maior excelência para esta tarefa, e assim os enviou à humanidade para servirem de guias para nosso próprio benefício, neste mundo e no outro. Eles nos mostraram o caminho da retidão, de modo que a imoralidade e outros hábitos prejudiciais fossem postos de lado, assim como tenta- ram nos ensinar a alcançar a perfeição e a felicidade para as quais fomos criados, e a vivermos uma vida na sua plenitude, neste mundo e na vida que se segue.
Faz parte da vontade de Deus que os Profetas beneficiem e reformem as sociedades para as quais são enviados, servindo de emissários. Só Deus pode escolher um Profeta, essa autoridade não provém dos homens.
“... Deus sabe melhor do que ninguém a quem deve encomendar a Sua missão...” (C.6 – V.124)
Os homens não devem disputar a legitimidade dos emissários de Deus, portadores de boas novas e de admoestações sobre o que virá no porvir, nem duvidar da autenticidade das suas mensagens.
A Profecia: Uma Graça Divina
O homem é, por natureza, uma criatura habituada a novos desafios, um ser complexo, na alma e no intelecto. Cada um de nós nasce com esta com- plexidade de caráter, onde há ensejos para o bem e para o mal. Fomos criados com a capacidade de sentir emoções e instintos, como a auto-estima, o desejo e o orgulho; o homem obedece ao chamado destes desejos, tem uma tendência natural para se sentir superior aos outros, de possuir e de se apropriar de coisas que não lhe pertencem. Ele persegue ardentemente os ornamentos e os bens materiais deste mundo. Deus diz no Alcorão:
“Que o homem está na perdição...” (C.103 – V.2)
“Qual! Em verdade, o homem transgride, Quando se vê rico. Sabe (ó Mensageiro) que o retorno de tudo será para o teu Senhor”. (C.96 – V.6 e 7)
“... porquanto o ser é propenso ao mal ... ”. (C.12 – V.53)
Muitos outros versículos se debruçam sobre a natureza da alma huma- na e os desejos a que esta se submete. Por outro lado, Deus concedeu-nos a inteligência e a capacidade de discernimento, para que sejamos guiados para a senda da retidão, em nosso próprio benefício. Também nos concedeu uma consciência que nos impede de praticar o mal ou de oprimir outrem, que nos faz se arrepender quando pecamos.
Há, na alma humana, uma luta permanente entre a tentação do desejo e os ditames da inteligência. Aquele que deixar que a sua inteligência se sobreponha aos desejos obterá uma posição mais elevada entre os homens e uma espiritualidade mais perfeita. O homem que se deixa dominar pelas suas paixões caminha no sentido inverso e em pouco se distingue dos animais.
Mas a tentação do desejo sempre foi maior do que o apelo da inteligência, e é por isso que muitos de nós nos afastamos do caminho da retidão, respondendo ao apelo das paixões. Lê-se no Alcorão:
“Porém, a maioria dos humanos, por mais que anseies, jamais crerá”. (C.12 – V.103)
O homem é, também, um ser relutante e desconhecedor dos mistérios do mundo que o rodeia, e se ele conhece tão mal o seu próprio ser, como saberá distinguir entre aquilo que o fará feliz ou infeliz? A cada vez que ele faz uma grande descoberta, mais se apercebe da sua própria ignorância. Vem daí a sua permanente necessidade de ter alguém que lhe indique o caminho correto a seguir e lhe ensine dominar as suas paixões.
O homem necessita de alguém que o ajude a encontrar esse caminho para a prosperidade e para a retidão, sobretudo quando as suas emoções o enganam, fazendo as más ações passar por boas e vice-versa. E ele deixa de conseguir distinguir entre o que é certo e errado. Todos nós já sucumbimos nesta batalha, consciente ou inconscientemente, à exceção do homem que é guiado por Deus. Se já é tão difícil para um homem culto e civilizado alcançar essa sabedoria e prosperidade, tanto mais é para um homem ignorante e sem estudos.
Mesmo quando os homens se auxiliam e tentam chegar a um acordo, difi- cilmente conseguem compreender o que é útil ou prejudicial para a sociedade. Assim, Deus tenta guiá-los através da sua Graça e Misericórdia, enviando-lhes um mensageiro. Pode se ler no Alcorão:
“Ele foi Quem escolheu, entre os iletrados, um Mensageiro da sua estirpe, para ditar-lhes os Seus versículos, consagrá-los e ensinar-lhes o Livro e a sabedoria, porque antes estavam em evidente erro.” (C.62 – V.2)
Conceder-nos esta graça é inerente ao caráter de Deus, um sinal da sua Perfeição, da sua Bondade e generosidade para com os homens. Quando um homem se torna merecedor da sua Graça e Misericórdia, estas lhe são conce- didas, porque é essa a natureza de Deus. Este é um dos seus atributos.
Doutrina dos Milagres dos Profetas
Quando Deus escolhe um dos seus emissários, torna-o visível e proemi- nente entre os homens. Na perfeição da Sua Bondade e Graça, confere a esse Profeta sinais e poderes que apenas Ele pode conceder e que ultrapassam as capacidades dos homens. Esses sinais são os milagres, que o Profeta deve ser capaz de demonstrar aos outros homens, para além de toda a dúvida.Esses sinais coincidem com o tempo em que Deus o elege como Seu emissário junto dos homens. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“Foram mensageiros alvissareiros e admoestadores, para que os humanos não tivessem argumento algum ante Deus, depois do envio deles, pois Deus é Poderoso, Prudentíssimo ” (C.4 – V.165)
Quando esses milagres não conseguem ser refutados por ninguém, os homens apercebem-se do seu caráter sobrenatural, e da relação do Profeta com o Criador, que o coloca acima dos homens comuns. Tais milagres chamam a atenção dos homens para a profecia, para que estes a aceitem e nela acreditem embora isso não aconteça com todos os homens.
Os milagres dos Profetas enquadram-se de modo diferente em cada época. Por exemplo, no tempo do Profeta Moisés (A.S.), um dos seus milagres foi um cajado que engoliu as serpentes dos mágicos da corte - a magia era a arte mais popular no Egito na época. Quando os mágicos testemunharam o feito, aperceberam-se do milagre, que ultrapassava tudo o que conheciam na arte e ciência de então. Jesus (A.S.), por exemplo, curou os cegos e os leprosos, e ressuscitou os mortos, numa época em que a ciência médica gozava de prestígio entre os homens. Ciência médica que, todavia, não podia se comparar aos seus milagres. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“ E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis ” (C.3 – V.49)
O milagre do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) foi o glorioso Alcorão, que a todos impressionou pela sua eloqüência e beleza, numa época em que os poetas e oradores gozavam de elevado prestígio. O Alcorão os deixou boquiabertos de espanto e, incapazes de criar algo semelhante, renderam-se à sua evidência. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se ajudassem mutuamente.” (C.17– V.88)
“Ou dizem: Ele o forjou! Dize: Pois bem, apresentais dez suratas forjadas, semelhantes às dele, e pedi (auxílio), para tanto, a quem possais, em vez de Deus, se estiverdes certos.” (C.11– V.13)
“E se tendes dúvidas a respeito do que revelamos ao Nosso servo (Mohammad), componde uma surata semelhante à dele (o Alcorão), e apresentai as vossas testemunhas, independentemente de Deus, se estiverdes certos.” (C.2– V.23)
Quando desafiados a produzir versículos que se lhe comparassem em beleza, e incapazes de fazê-lo, os opositores do Profeta recorreram antes às armas. O Alcorão foi a mensagem de Deus trazida por Mohammad. Ele foi o Seu emissário junto aos homens, trazendo-lhes a Verdade.
Doutrina da Infalibilidade dos Profetas
Faz parte da nossa crença, que os Profetas de Deus, tal como os Imames dos Ahlul Bait16 (A.S.) são infalíveis, embora nem todos os muçulmanos acreditem nessa sua característica. Na nossa doutrina, esses homens eram puros de alma e livres do pecado e dos erros. Os Profetas eram homens de grande perfeição e incapazes de qualquer ato impróprio.
Acreditamos nessa infalibilidade pelos seguintes motivos: se os Profetas cometessem algum pecado ou erro, nós teríamos de escolher entre duas alternativas - ou os imitávamos nos seus erros e defeitos (o que, segundo o Islam, seria errado), ou não seguiríamos os seus exemplos (o que também é errado na nossa fé, uma vez que devemos obediência absoluta aos Profetas). Como seguir então alguém que tanto pode estar certo como errado? Transformando-se o Profeta num homem vulgar, capaz de errar, perde-se o fundamento da sua missão. Da mesma forma que acreditamos na perfeição dos Profetas, assim acreditamos na dos Imames (A.S.), que vemos como representantes do Profeta aos olhos de Deus.
Doutrina dos Atributos dos Profetas
Acreditar na perfeição dos Profetas é também acreditar que estes possuíam todos os nobres atributos da humanidade - a bravura, o tato diplomático, sagacidade, paciência, inteligência e argúcia, sendo dificilmente ultrapassados por outros. Só assim poderiam conduzir os destinos dos povos e do mundo. Eles eram também de boa linhagem, honestos e verdadeiros, isentos de vícios. Só assim conquistavam a confiança dos seus contemporâneos e ocupavam essa posição designada por Deus.
16. Os descendentes e sucessores da família do Profeta (S.A.A.S.).
Doutrina dos Profetas e seus Livros
Os muçulmanos acreditam, geralmente, que os Profetas eram homens retos, puros de coração, e que negar a sua missão ou denegri-los resulta na falta de fé ou de sinceridade na crença. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“Dizei: Cremos em Deus, no que nos tem sido revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; no que foi concedido a Moisés e a Jesus e no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção alguma entre eles, e nos submetemos a Ele” (C.2– V.136)
Negar os Profetas de Deus é também negar o nosso Profeta Mohammad, que lhes seguiu e confirmou as suas missões junto aos homens.
É nosso dever acreditar na missão dos grandes Profetas que antecederam Mohammad, como Adão, Noé, David, Salomão, Moisés, Jesus, todos mencionados no Alcorão. Negar as suas missões é rejeitar o Profeta Mohammad.
Devemos igualmente aceitar os mandamentos dos livros deixados por estes Profetas e aquilo que lhes foi revelado. Todavia, acreditamos que, com o tempo, os ensinamentos da Torá de Moisés ou dos Evangelhos de Jesus foram sucessivamente deturpados. Muitos dos seguidores dos Profetas acrescentaram-lhes frases ou ensinamentos que ali não estavam originalmente.
Doutrina da Crença no Islam
Acreditamos que a verdadeira religião, para Deus, é o Islam, como é mencionado no Alcorão:
“Para Deus a religião é o Islam” (C.3– V.19)
É a fé que mais se aproxima da perfeição e melhor conduz os homens à felicidade, tanto nesta vida como na que se segue depois da morte. É uma fé que jamais estará obsoleta e que durará sempre; os seus fundamentos são imutáveis e não podem ser alterados, e nela estão contidos todos os ensinamentos necessários à Humanidade, para reger a vida do indivíduo e da sociedade. É nossa crença de que se trata da última grande religião e de que nenhuma outra é necessária para reformar a Humanidade, nestes tempos de opressão e corrupção. Um dia, a fé islâmica será suficientemente forte e a sua justiça chegará a todo o mundo e, então, quando as suas leis regerem a vida de todos os seres humanos, a paz e a prosperidade reinarão e o homem alcançará benesses jamais imaginadas: bem-estar, dignidade, felicidade e moralidade reinarão, e não mais haverá pobreza nem vingará a maldade à face da terra, apenas o amor e a fraternidade entre os homens.
O motivo pelo qual encontramos tamanha miséria entre os povos que se auto-intitulam Muçulmanos hoje em dia reside no fato de, entre estes, os preceitos islâmicos não estarem a ser devidamente postos em prática. Este estado de coisas tem vindo a piorar progressivamente. O Islam não é responsável pela desgraça e atraso destas populações; pelo contrário, é o desrespeito pela verdade da fé islâmica, a opressão e tirania dos seus dirigentes para com os povos que paralisaram o progresso, e enfraqueceu os seus espíritos, sendo que sobre eles despejou a tragédia e a calamidade. Deus os desfavoreceu pelos seus pecados:
“Isso, porque Deus jamais muda as mercês com que tem agraciado um povo, a menos que este mude o que há em seu íntimo; sabei que Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.” (Alcorão Sagrado C.8 – V.53)
Assim o Senhor trata as suas criaturas:
“Haverá alguém mais iníquo do que quem forja mentiras acerca de Deus ou desmente os Seus versículos? Jamais prosperarão pecadores” (C.10– V.17)
“É inconcebível que teu Senhor exterminasse as cidades injustamente, caso seus habitantes fossem conciliadores!” (C.11 – V.117)
“E assim é o extermínio (vindo do teu Senhor, que extermina as cidades por suas iniqüidades. O Seu extermínio é terrível, severíssimo” (C.11 – V.102)
Como podemos esperar que a religião salve a comunidade da perdição, quando os seus ensinamentos não passam de papel e ninguém os leva a sério? Entre os pilares do Islam contam-se, para além da fé em Deus, a honestidade, a sinceridade, a generosidade e o bom caráter, e um muçulmano deve desejar ao seu irmão tudo aquilo que deseja para si próprio. Mas afastamo-nos de tudo isso há muito tempo.
Todos os dias, nós constatamos como os muçulmanos se dispersam por seitas religiosas antagônicas, competindo por coisas mundanas, acusando- se mutuamente por motivos desconhecidos ou imaginados, por causas vãs, ignorando o Islam, os seus próprios interesses e os da sociedade. E argumentam: foi o Alcorão inventado ou não? Será que o Paraíso e o Inferno já existem ou serão inventados no futuro? A natureza destas disputas medíocres mostra bem como se desviaram do caminho da retidão e se dirigem para a ruína e destruição, e assim tem sido a cada dia que passa. A ignorância e a perversão rodeiam-nos, mas eles estão mais preocupados em discutir superstição e outras banalidades do gênero. A rivalidade e a má língua empurram-nos continuamente para um abismo sem fundo. Ao mesmo tempo, um Ocidente vigilante, mas continuamente antagônico para com o Islam, tornou-se poderoso e colonizou o território islâmico, apanhando os seus povos desprevenidos e sonolentos. E só Deus sabe a extensão da sua miséria atual. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“É inconcebível que teu Senhor exterminasse as cidades injustamente, caso seus habitantes fossem conciliadores!” (C.11 – V.117)
Os muçulmanos somente serão bem sucedidos, hoje e amanhã, se abrirem os olhos e pensarem no que devem fazer, educarem a si mesmos e à sua nova geração através dos ensinamentos islâmicos corretos, e assim se livrarem da opressão e da crueldade que grassam entre eles. Só assim conseguirão se salvar de uma calamidade maior. É seu dever praticar a
justiça por todo o mundo, depois de se livrarem eles próprio de tanto mal, como nos pede Deus e o Seu Mensageiro Mohammad. Porque a sua fé é a última grande religião divina e o mundo necessita dela. O mundo precisa, também, de um Imam, de um líder como se crê no Xiismo, de alguém para guiar os destinos dos homens e salvá-los da corrupção completa, da opressão, da imoralidade e da maldade para com a vida humana. Que Deus o traga para junto de nós muito em breve.
Doutrina da Crença no Mensageiro do Islam
Na nossa religião, a mensagem do Islam foi trazida por um homem, Mohammad Ibn Abdillah (S.A.A.S.), ou Maomé, como é conhecido nos países de língua portuguesa, e cremos ser ele o último dos Profetas de Deus, o principal entre eles e uma jóia para a humanidade. Ninguém se compara a ele em graça e excelência, generosidade e intelecto, e nas suas mais amplas virtudes. Cremos que ninguém será como ele até o advento do Dia do Juízo Final. Deus disse no Alcorão Sagrado:
“Porque és de nobilíssimo caráter” (C.68 – V.4)
Doutrina da Crença no Alcorão
Acreditamos que o Alcorão é um Livro de inspiração Divina, e revelado por Deus através do Profeta Mohammad, trazendo a claridade de pensamento e um eterno milagre. A sua eloqüência e beleza, verdade e sabedoria, jamais poderiam ter sido inventadas por um homem como ele mencionou no Alcorão Sagrado:
“ Nós revelamos a Mensagem e somos o Seu Preservador” (C.15 – V.9) O Alcorão que nos chegou é exatamente o que foi enviado ao Profeta,
e quem o contesta comete um grave erro, afastando-se do caminho de Deus. É a própria Palavra de Deus, que nos diz:
“A falsidade não se aproxima dele (o Livro), nem pela frente, nem por trás; é a revelação do Prudente, Laudabilíssimo.” (C.41 – V.42)
Um claro testemunho da natureza miraculosa do Alcorão é o fato deste permanecer tão autêntico e atual hoje em dia, à medida que evoluem as artes e a ciência, preservando os seus ideais. Nada nele é contraditório ou desalinhado ao pensamento filosófico ou à evolução científica. Pelo contrário, são muitos dos escritos filosóficos ou da ciência que se revelam, por vezes, incorretos e triviais. Com o avanço da ciência e da pesquisa, vemos como até os grandes filósofos da antiga Grécia, como Sócrates, Platão e Aristóteles podiam se enganar.
É nosso dever respeitar, também, a dignidade do glorioso Alcorão, não só em teoria, mas também na prática. Por uma questão de respeito, o livro sagrado não deve ser danificado e apenas se pode tocá-lo quando estamos ritualmente purificados e limpos. No Alcorão está escrito:
“Que não o tocaram (O Alcorão), senão os purificados!” (C.56 – V.79)
Este assunto também é tratado pela lei religiosa. Não nos é permitido queimar o Alcorão ou tratá-lo de forma insultuosa, como jogá-lo no ar, sujá-lo de alguma forma ou pisá-lo; nem se deve guardar o Alcorão num lugar que não esteja limpo. Tratá-lo sem respeito é um sinal de descrença e de desrespeito para com Deus, Senhor do Mundo.
O Islam e as Religiões que lhe Precedem
Quando alguém que não seja muçulmano argumenta conosco sobre a autenticidade do Islam, bastará citar o Alcorão milagroso. Todavia, é nossa intenção tentar esclarecer, aqui, as mentes, caso necessitemos de uma explicação sobre a natureza do Islam; porque é apenas normal que nos questionemos sobre esse assunto, quando queremos fortalecer a nossa fé.
Torna-se difícil por vezes provar a total veracidade do Judaísmo e do Cristianismo, pois nenhuma destas religiões possui um milagre como o Alcorão. Os próprios milagres dos Profetas que antecederam o Islam são difíceis de provar quando se recorre às suas escrituras por vezes corrompidas. Livros sagrados como a Torá ou o Evangelho de Jesus, que nos foram transmitidos pelos seus seguidores, não são tão convincentes como o Alcorão, mas estas duas religiões e os seus Profetas nos são confirmados pelo próprio Alcorão.
Se acreditamos no Islam, devemos também acreditar nos Profetas que lhe precedem e nos seus ensinamentos. Assim, não é necessário para um muçulmano questionar a validade das outras duas confissões. Todavia, quando investigamos a natureza do Islam e este não nos convence plenamente, devemos nos debruçar sobre o Cristianismo, que lhe precede e, se isso não bastar, também no Judaísmo, até que encontremos as respostas para as nossas dúvidas.
Da mesma forma, quem quer que tenha crescido num ambiente cristão ou judaico, deve também debruçar-se sobre a outra fé em caso de dúvidas. Por um exemplo, um judeu deve procurar compreender o Cristianismo ou o Islam de uma forma racional, o mesmo se aplicando a um cristão. Estes
devem sempre tentar compreender a natureza do Islam, até porque não há, nas suas religiões, nada que esteja em contradição com a nossa fé. Nem o Profeta Moisés, nem Jesus, alguma vez afirmaram que seriam os últimos mensageiros de Deus. Todavia, constatamos como tanto judeus como cristãos se sentem tão convictos das suas crenças sem sequer tentar compreender a verdade de uma religião que surgiu depois das suas.
A sabedoria exige que estes também tentem compreender o Islam. Se não chegarem a nenhuma conclusão, podem e devem continuar a acreditar na sua própria religião. Um muçulmano, contudo, pelo que já afirmamos anteriormente, não deve ter essa necessidade, uma vez que ambas as religiões são verdadeiras e confirmadas pelo Islam. Deve, no entanto, seguir os mandamentos do Islam, e não das outras duas, porque a nossa fé é posterior à deles e veio suplantar os seus ensinamentos. O Profeta Mohammad, foi referindo no Alcorão Sagrado no seguinte versículo:
“Em verdade, Mohammad não é o pai de nenhum de vossos homens, mas sim o Mensageiro de Deus e o prostremos dos profetas; sabei que Deus é Onisciente ” (C.33 – V.40)
E baseado nisso o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse:
“Nenhum outro Profeta virá depois de mim”.
Aos olhos de um muçulmano, o Profeta era um homem reto, justo e honesto, e Deus menciona o fato no Alcorão, quando diz:
“Nem fala por capricho. Isso não é senão a inspiração que lhe foi revelada...” (C.53 – V.3 e 4)
Uma vez que já se passou tanto tempo desde o advento do Islam, e tantas opiniões divergentes sobre este assunto existem, um bom muçulmano deve escolher o caminho que o leva aos ensinamentos de Deus, tal como foram revelados por Mohammad. E como ter certeza de que estes ensinamentos não foram corrompidos ou deturpados ao longo dos séculos? Existem tantas seitas e rituais diferentes entre os muçulmanos. Que opiniões seguir, afinal? Que escola de pensamento devemos adotar em assuntos como a oração, o casamento, o divórcio, a herança, a compra e venda, o castigo para o criminoso, etc?
Devemos estar seguros das nossas idéias nesta matéria, e não apenas seguir o que seguiram os nossos pais ou amigos. Na religião, não deve haver fanatismo, parcialidade ou falta de sinceridade. Devemos fazer uma escolha racional e escolher o caminho que julgamos adequado, para que possamos cumprir os nossos deveres religiosos para com Deus, e para que o Senhor não nos reprove pelos nossos atos. Também, devemos prestar atenção ao que Deus diz no Alcorão:
“Pensa, acaso, o homem, que será deixado ao léu?” (C.75 – V.36) Assim como:
“Mais, ainda, o homem será a evidência contra si mesmo...” (C.75 – V.14)
“Em verdade, esta é uma admoestação: e, quem quiser, poderá encaminhar-se até à senda do seu Senhor.” (C.76 – V.29)
A primeira questão a colocar é a de saber se deve seguir o caminho para os Ahlul Bait (A.S.), ou qualquer outra via. Se escolher a primeira, pode optar entre a “Ithna Asharia” (Xiismo) ou outra seita. Se escolher a confissão Sunita do Islamismo, deve optar por uma das quatro escolas de jurisprudência. São questões que qualquer indivíduo aberto e racional pode se colocar, e ele deve manter um espírito tolerante e claro.
Para os Xiitas, o Imamato é um dos pilares fundamentais da fé, como veremos a seguir.
