بسم الله الرحمن الرحيم ـ ١. الحمد لله رب العالمين ـ ٢. الرحمن الرحيم ـ ٣. مالك يوم الدين ـ ٤. إياك نعبد واياك نستعين ـ ٥.
1. Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. 2. Louvado seja Allah, Senhor do Universo, 3. O Clemente, o Misericordioso, 4. Soberano do Dia do Juízo. 5. Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda!
Explicação
بسم الله الرحمن الرحيم
A Importância da Bismillah e Seu Propósito
Deus inicia Suas palavras com "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso", observando uma prática comum entre as pessoas, pois, muitas vezes, as pessoas ao realizarem ou iniciarem uma ação, associam-na ao nome de uma figura respeitada, seja para conferir bênçãos e prestígio ao ato ou para criar uma lembrança duradoura dessa pessoa. O mesmo ocorre na nomeação de filhos, construções ou instituições, escolhendo-se nomes de indivíduos amados ou venerados, para que permaneçam vivos através daquilo que foi nomeado. Assim, quando alguém dá ao filho o nome do pai, por exemplo, busca manter viva sua lembrança e impedir que seja esquecida.
De maneira semelhante, Deus iniciou Seu discurso mencionando Seu Próprio Nome Exaltado, para que tudo o que se segue, esteja ligado a Ele e marcado por Sua presença. Isso também estabelece um ensinamento essencial: os servos devem começar suas ações em nome de Deus e por Ele, assegurando que suas obras sejam abençoadas e direcionadas à Sua satisfação. Dessa forma, seus atos não se tornam vãos ou interrompidos, pois são realizados sob a proteção do nome de Deus, Aquele a quem nada pode ser destruído ou aniquilado.
O Alcorão esclarece, em diversas passagens, que tudo o que não for feito por amor a Deus é efêmero e destituído de valor. Deus afirma que examinará os atos que não foram realizados por Sua causa e os reduzirá a pó disperso, e Ele anula o que eles realizaram e invalida o que faziam. Apenas aquilo que é feito por Ele e em Seu nome possui permanência, e a durabilidade de qualquer ação está diretamente relacionada à sua conexão com Deus.
Esse princípio é reforçado pela narração amplamente transmitido do Profeta (S.A.A.S.): "Toda ação significativa que não começa em nome de Deus será interrompido, sem resultado."
Assim, o Seu Livro Sagrado inicia-se com o Seu Nome Bendito
A Bismillah (Em Nome de Deus), ao iniciar qualquer discurso ou ação, toma como alvo o propósito único inerente ao seu contexto. Dessa perspectiva, a Bismillah no início do Alcorão e de seus capítulos está relacionada ao propósito central do discurso divino.
Ao respeito do Alcorão Sagrado na sua totalidade Deus menciona: "Certamente, vos chegou de Deus uma luz e um Livro evidente, pelo qual Deus guia aqueles que buscam Sua satisfação para os caminhos da paz..." (Al-Mā'idah, 5:15-16). Portanto, a orientação dos servos é o objetivo principal da revelação. E a Bismillah, no início do Alcorão, significa: 'Em Nome de Deus, inicia-se a orientação dos servos. Ele é Deus, a quem todos retornarão; Ele é o Clemente, que indica a Seus servos o caminho de Sua misericórdia universal, abrangendo tanto crentes quanto descrentes, conduzindo-os ao que é benéfico para sua existência e sua vida. Ele também é o Misericordioso, que lhes mostra o caminho de Sua misericórdia específica que apenas os crentes aproveitam-na, isto é, a felicidade na outra vida e o encontro com Seu Senhor. Como Ele diz: "Minha misericórdia abrange todas as coisas, e Eu a destinarei àqueles que são tementes" (Al-A'raf, 156). Isso se aplica ao Alcorão como um todo.
Ao respeito dos capítulos, Deus frequentemente menciona o termo "sura: capítulo" em Sua palavra; como nos versículos: "Tragam então uma sura semelhante a ele" (Yunus, 38), "Tragam dez suras forjadas semelhantes a ele" (Hud, 13), "Quando uma sura é revelada..." (At-Tawbah, 86), e "Uma sura que revelamos e tornamos obrigatória..." (An-Nur, 1). Isso nos mostra que cada conjunto de versículos do Alcorão, chamado sura, possui uma unidade temática e estrutural específica que o distingue dos demais. Dessa forma, compreendemos que os objetivos e temas das suras variam, e cada uma delas é revelada para transmitir um significado particular e alcançar um propósito específico, que só se completa com a totalidade da sura. Assim, a Bismillah no início de cada sura está diretamente relacionada ao propósito dela em particular.
No caso do capítulo Al-Fatiha, a Bismillah está ligada ao seu objetivo essencial e ao significado que ele transmite. O propósito dele, conforme indicado por sua sequência de versículos, é louvar a Deus e expressar a devoção a Ele, por meio da adoração, do pedido de auxílio e da súplica por orientação.
Por outro lado, embora essa sura seja a palavra de Deus, Ele a pronunciou em nome do Seu servo para lhe ensinar como manifestar sua submissão de maneira adequada, conforme a orientação divina.
Além disso, a servidão do ser humano não se expressa apenas por palavras, mas também se manifesta por meio de suas ações, o que, conforme a narração do Profeta (S.A.A.S.), é uma questão significativa. Portanto, o início com 'Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso' está diretamente relacionado a essa realidade, significando: 'Em Teu Nome, manifesto minha adoração a Ti.’ Na verdade, buscamos alcançar a sinceridade máxima na posição de servidão e na comunicação com Deus, dizendo: 'Ó Senhor, inicio o Teu louvor em Teu nome, para que essa minha ação tenha a Tua marca e seja completamente dedicada a Ti.'
Explorando o Significado de Bismillah
[A partir da estrutura da língua árabe, podem ser considerados dois significados para a Bismillah: 1. Iniciar-se em Nome de Deus. 2. Pedir ajuda pelo Nome Bendito de Deus. Allama Tabatabaí prefere o primeiro, fundamentando sua interpretação nessa perspectiva. Na sequência, ele menciona brevemente a segunda possibilidade, mas não a aceita, devido à razão apresentada.]
Interpretar a Bismillah como ‘um pedido de ajuda’ não é incorreto; no entanto, compreendê-la como um início é mais adequado, uma vez que a sura já contém explicitamente um pedido de ajuda no versículo: ‘só de Ti imploramos ajuda!' (Al-Fatiha, 5). [Assim, considerar a Bismillah como pedido de auxílio resultaria em repetição, o que não é ideal nem priorizado em um discurso eloquente e bem estruturado.]
O Significado e a Natureza do Nome: Uma Análise
[Allama Tabatabaí, após uma análise sobre o conceito de "nome" e os temas a ele relacionados, julga desnecessário aprofundar-se na questão, pela razão que será apresentada. Dessa forma, pode-se não abordar o tema em detalhes. No entanto, sua observação pode ser útil, pois, ao se deparar com tais discussões, isso haverá uma compreensão prévia e um embasamento conceitual sobre o assunto.]
O termo "nome" (ism) refere-se, linguisticamente, ao vocábulo que denota uma entidade específica, sendo derivado [em árabe] de uma raiz com o significado de ‘marca’ ou de ‘elevação’. Claramente no uso comum, um nome é um termo que indica algo distinto de si mesmo [ou seja, o nome é uma coisa e a entidade se referida é outra]. No entanto, no discurso teológico, o "nome" pode ser a própria entidade para se referir a sua essência que é nomeado, observando-se uma de suas qualidades. Por exemplo, [em resumo: a essência de Deus é absolutamente desconhecida. No entanto, quando Seu atributo de sabedoria é observado, ele remete à Essência Desconhecida de Deus. Esse atributo, sendo uma realidade externa e não apenas uma palavra ou conceito, funciona como um nome. Dessa perspectiva, a palavra 'Sábio' é, na verdade, um nome do nome.].
A análise conceitual mostra que, inicialmente, o termo "nome" era aplicado a palavras que designam entidades. Posteriormente, percebeu-se que certos atributos podem, da mesma forma, indicar a essência de um ser, levando à sua designação também como "nomes". Assim, o nome, numa visão ampla, pode ser entendido tanto como um termo linguístico quanto como uma qualidade inerente à essência de algo.
Porém, é importante observar que isso resulta de uma análise filosófica e não deve ser tomada como uma regra linguística. Assim, conforme o uso comum da língua, um "nome" é, essencialmente, um termo que designa algo.
Allah
O termo "Allah" tem sua origem na palavra árabe "اله, Ilah”, cuja primeira letra, foi retirada devido ao uso frequente. [Al-Ilah, ‘Al’ é como artigo, transformou para Al-lah e finalmente Allah]. "Ilah" vem de origem "alah" (adorar) ou "walah" (perder-se, espantar-se, maravilhar-se); com o significado de algo que é venerado ou algo que causa deslumbramento.
Para mais explicação, o termo "Ilah" é um substantivo derivado do verbo, indicando aquilo que é adorado ou objeto de adoração, mas também pode ser usado para descrever algo que é além da compreensão humana.
A palavra "Allah" se tornou um nome específico para Deus, pelo uso frequente e amplo e, reconhecida pelos árabes pré-islâmicos. Isso é indicado em versículos como "Se você lhes perguntar quem os criou, eles responderão: Allah" (Az-Zukhruf, 87) e "E disseram: 'Isso é de Allah, segundo nossa suposição, e isso é para nossos parceiros'" (Al-An'am, 136).
Outro ponto que evidencia que "Allah" é um nome único e exclusivo de Deus é o fato de que ele é qualificado pelos outros atributos divinos, e não o contrário; por exemplo, "Allah é o Misericordioso e o Clemente" [e não se diz 'O Clemente é o Allah’].
Esse nome é associado a todas as qualidades divinas, e a partir disso, entende-se que o nome "Allah" representa a essência divina, abrangendo todos os atributos de perfeição.
Ar-Rahman (O Clemente), Ar-Rahim" (O Misericordioso)
[Embora na língua portuguesa esses dois atributos sejam traduzidos por palavras distintas, em árabe, ambos derivam de uma mesma raiz, compartilhando o mesmo conceito com variações nos detalhes]
Estes dois atributos derivam do conceito de "rahm" (misericórdia), que, em seu significado comum, refere-se a uma emoção que afeta o coração ao testemunhar alguém em necessidade ou carência, levando à ação para suprir essa falta. No entanto, quando analisado em um nível mais profundo, esse conceito se traduz na concessão e na generosidade destinadas a suprir as necessidades. É nesse sentido que Deus é descrito como possuidor da misericórdia. [A essência de Deus é isenta de qualquer mudança ou influência emocional. Esses dois atributos, que representam um único conceito, são atribuídos a Ele após serem depurados de quaisquer conotações incompatíveis com a natureza divina.]
"Ar-Rahman" e "Ar-Rahim" reflete a vasta e eterna misericórdia de Deus. "Ar-Rahman" descreve uma misericórdia abrangente e universal que se estende a todos [mesmo que seja descrente], enquanto "Ar-Rahim" refere-se a uma misericórdia específica que se aplica aos crentes, permanecendo constante e duradoura. Nesse sentido, o termo Rahman é amplamente utilizado no Alcorão, como em: " Ar-Rahman estabeleceu-se sobre o Trono" (Taha 5) e "Dize: Quem está no erro, que o Ar-Rahman lhe conceda um prazo" (Maryam 75), entre outros exemplos. Por outro lado, o termo Rahim expressa a graça contínua e a misericórdia permanente concedida exclusivamente aos crentes, como mencionado em "E Ele é Misericordioso (Ar-Rahim) para com os crentes" (Al-Ahzab 43) e "Em verdade, Ele é para com eles Compassivo, Misericordioso (Ar-Rahim) " (At-Tawbah 117). Dessa forma, costuma-se dizer que Rahman refere-se à misericórdia divina abrangente para crentes e descrentes, enquanto Rahim é reservado à misericórdia especial concedida só aos crentes.
الحمد لله رب العالمين
Alhamdulillah
[A diferença entre os termos 'hamd' e 'madh' será discutida e que ambos utilizados na língua árabe para expressar elogio, mas com nuances distintas em seus significados e usos. O objetivo é entender a razão pela qual Deus escolheu o termo 'hamd' em vez do outro.]
Baseado o que é dito, a expressão "Al-Hamdu Lillah" pode ser compreendida a partir da distinção entre "louvor" e "elogio" na língua árabe. O louvor (ḥamd) refere-se à exaltação de quem realiza o bem de maneira voluntária e intencional, enquanto o elogio (madḥ) possui um significado mais amplo, podendo ser aplicado tanto a qualidades inatas quanto a ações voluntárias. Por exemplo, pode-se dizer "louvei alguém por sua generosidade" ou "elogiei a pérola por seu brilho", mas não se utilizaria "louvor" para a pérola, pois seu brilho não resulta de uma ação voluntária. [É importante destacar que essa análise refere-se às palavras na língua árabe, e não necessariamente aos termos traduzidos em outras línguas.]
No versículo, a preposição "Li" (لِ) em "Lillah" pode indicar totalidade ou exclusividade, enfatizando que todo louvor pertence a Deus.
Deus, no Alcorão, afirma: "Esse é Deus, vosso Senhor, Criador de todas as coisas" (Ghafir, 62), deixando claro que tudo o que existe é Sua criação. Além disso, diz: "Ele aperfeiçoou tudo o que criou" (As-Sajda, 7), indicando que toda a criação é dotada de beleza e perfeição na medida em que provém de Deus. Assim, a beleza e a criação são inseparáveis: nada é criado sem a marca da beleza e nenhuma beleza existe sem ser Sua obra.
Deus também declara: "Ele é Deus, o Único, o Dominador" (Az-Zumar, 4) e "E os rostos se humilharão diante do Vivente, do Sustentador" (Ta-Ha, 111), revelando que Sua criação não é fruto de coerção ou imposição externa, mas sim de conhecimento e livre vontade. Dessa forma, todas as Suas ações são belas e intencionadas.
Além disso, Ele afirma: "A Ele pertencem os mais belos nomes" (Ta-Ha, 8) e "A Deus pertencem os mais belos nomes, invocai-O por eles" (Al-A'raf, 180), o que indica que, assim como Suas ações, Seus nomes também são belos. Consequentemente, Deus é digno de louvor tanto por Seus nomes sublimes quanto por Suas ações perfeitas. E, qualquer louvor dirigido a qualquer aspecto da criação, no fundo, pertence a Ele, pois toda beleza e perfeição emanam de Sua existência.
Baseado no contexto, percebe-se que a sura na qual esse versículo se encontra é uma orientação divina para que o ser humano aprenda a louvar a Deus corretamente. Isso é evidenciado pelo uso da segunda pessoa em "Só a Ti adoramos" (Al-Fatiha, 5), indicando que Deus ensina aos Seus servos como louvá-Lo e se comportar adequadamente no estado de adoração. Isso reforça que a frase "Al-Hamdu Lillah" é uma lição divina sobre como expressar louvor ao Criador, de maneira apropriada.
O louvor é uma forma de descrição, mas Deus exaltou a Si mesmo acima das descrições de Seus servos, conforme mencionado no versículo: "Glorificado seja Deus acima daquilo que descrevem, exceto os servos sinceros de Deus" (As-Saffat 37:160). Esse enunciado é absoluto. Além disso, nas palavras de Deus, não há qualquer menção de louvor atribuído à língua de outrem, exceto em relação a alguns de Seus profetas sinceros.
Por exemplo, Deus ordenou a Noé (A.S.): "Dize: Louvado seja Deus, que nos salvou do povo injusto" (Al-Mu’minun 23:28). Sobre Abraão (A.S.), Deus relata: "Louvado seja Deus, que me concedeu Ismael e Isaque na velhice" (Ibrahim 14:39). Deus também instruiu Seu Profeta Muhammad (S.A.A.S.) em vários trechos do Alcorão: "E dize: Louvado seja Deus" (An-Naml 27:93). Além disso, é dito sobre Davi e Salomão (a.s.): "E ambos disseram: Louvado seja Deus" (An-Naml 27:15).
Outro exemplo está no louvor dos habitantes do Paraíso, que foram purificados de toda mágoa, palavras vãs e pecado, como mencionado no versículo: "E sua última prece será: Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos" (Yunus 10:10).
Fora desses casos específicos, embora Deus tenha relatado que muitos de Seus seres criados – e até todos – O louvam, Ele sempre associou esse louvor à exaltação (glorificação, tasbih). Por exemplo: "E os anjos glorificam a seu Senhor com Seu louvor" (Ash-Shura 42:5), "E o trovão O glorifica com Seu louvor" (Ar-Ra’d 13:13), "E não há coisa alguma que não O glorifique com Seu louvor" (Al-Isra 17:44).
Isso indica que a exaltação de Deus (glorificação, tasbih) precede o louvor (hamd), pois os seres criados não têm pleno conhecimento da beleza e perfeição dos atos divinos, assim como não abarcam a plenitude de Seus atributos e nomes, dos quais emanam Seus atos; como afirma o Alcorão: "E eles não O abrangem em conhecimento" (Ta-Ha 20:110).
Assim, qualquer descrição que façam é limitada por seu próprio entendimento e, portanto, só pode ser válida se precedida pela glorificação de Deus, reconhecendo Sua incomparabilidade; como diz outro versículo: "Por certo, Deus sabe, e vós não sabeis" (An-Nahl 16:74).
No entanto, os servos sinceros de Deus possuem um louvor que é aceito como o próprio louvor divino, pois foram purificados e dedicados a Ele.
Dessa forma, a etiqueta adequada da servidão exige que o servo louve seu Senhor da forma como Ele mesmo se louvou, sem exceder esse limite. Isso é reforçado por um hadith narrado amplamente, no qual o Profeta Muhammad (S.A.A.S.) disse: "Não consigo enumerar Teus louvores; Tu és como louvaste a Ti mesmo".
Assim, a abertura do capítulo Al-Fatiha com "Al-Hamdu Lillah" é um ensinamento divino que orienta os servos na maneira correta de enaltecer o Senhor, conforme a etiqueta da adoração. Se Deus não tivesse ensinado essa forma de louvor, os servos não poderiam expressá-lo adequadamente.
رب العالیمن * الرحمن الرحیم * مالک یوم الدین ...
[Esses versículos são frequentemente traduzidos como: "Senhor dos mundos, o Clemente, o Misericordioso, o Soberano do Dia do Juízo". Contudo, conforme foi explicado, "Ar-Rahmān" e “Ar-Raḥīm” derivam da mesma raiz de "misericórdia", mas com uma nuance diferenciada de significado; embora que sejam traduzidos por duas palavras distintas. Para uma compreensão mais precisa é necessário considerar as sutilezas presentes nas palavras originais em árabe, além das escolhas lexicais feitas na tradução. Isso porque a tradução impõe restrições, limitando a capacidade de refletir todas as dimensões do termo original.
Assim, para uma compreensão mais profunda do termo ‘Rab’, é necessário incorporar os conceitos de mestre, educador, sustentador e cultivador — aquele que cria e desenvolve em dois aspectos, físico e metafísico —, além do significado essencial de ‘senhor’.
‘Mālik’, por sua vez, não se limita ao conceito de soberano, mas também abrange o sentido de dono ou proprietário.
Quanto ao termo “Dīn”, que significa a religião, ele está intimamente ligado à ideia de juízo. Assim, a tradução como ‘Juízo Final’ é escolhida, pois reflete a exigência do termo, dada a compreensão contextual.]
‘Rab’, o Senhor, é Aquele que gerencia os assuntos de Suas criaturas, portanto, existe em Seu significado o conceito de soberania. [Assim, há uma harmonia e relação conceitual com o versículo 4: O Soberano do Dia do Juízo].
A soberania que um possuidor tem sobre a posse, pela qual possibilita o controle e a validade das ações sobre ela, no contexto humano refere-se a um tipo específico de relação especial com o que se possui. Assim, ao dizermos 'esta propriedade é nossa', estamos afirmando que ela está de tal forma vinculada a nós, que nossas ações sobre ela são legítimas.
Esse conceito, no contexto humano, é um entendimento convencional, construído por nossas normas sociais. No entanto, existe outro tipo de soberania e propriedade que é mais profundo e real, que descreve a relação entre a existência de um ser e os poderes e capacidades que lhe são intrínsecos.
Por exemplo, quando dizemos que temos visão, audição, mãos e pés, isso implica que esses aspectos do nosso ser são dependentes de nossa existência. Em outras palavras, nossa visão e audição não existem de forma independente de nós, mas sim como características intrínsecas ao nosso ser. Esse é o verdadeiro sentido da soberania e propriedade.
A respeito de Deus, a verdadeira soberania que pode ser atribuída a Ele é real, e não convencional que se dissolve com a alteração dos entendimentos e acordos sociais. A soberania verdadeira de Deus não pode ser separada de Seu domínio e governo, pois aquilo que depende da existência de algo não pode ser dissociado das suas consequências ou efeitos. Portanto, Deus é o Senhor e o Mestre que administra, gerencia, sustenta, educa e cultiva Suas criaturas com total controle e cuidado.
العالمین ....
Os mundos (al-‘Ālamīn) é o plural de 'mundo', que pode ser aplicado a todas as criaturas existentes, incluindo todos os tipos de seres compostos por partes e elementos, como o mundo mineral, o mundo vegetal, o mundo animal e o mundo humano.
Também pode referir-se a grupos ou categorias de seres, como o mundo árabe, os não árabes e outros.
O segundo domínio semântico é mais adequado neste contexto em que essa expressão é junto com as mais belas qualidades de Deus até “Soberano do Dia do Juízo”, sendo o “juízo” exclusivo para os humanos e os gênios. Isso sugere que “os mundos” se refere às realidades dos seres humanos e dos gênios, e suas comunidades.
Isso é corroborado por várias passagens do Alcorão, [nas quais o termo ‘mundos’ é usado no contexto humano ou humano e gênios] como: "E, Ele te escolheu sobre todas as mulheres do mundo" (3:42) [referindo-se a Santa Maria], "Para ser um aviso para todos os mundos" (25:1), e "Vocês cometerão a abominação que ninguém fez antes de vocês, entre todos os mundos?" (7:80).
مالک یوم الدین
Soberano do Dia do Juízo
[A primeira palavra deste versículo apresenta uma divergência de pronúncia, sendo recitada de duas formas: “مالک, Mālik” e “ملک, Malik’; a primeira com vogal longa para “ā” e a segunda, com vogais curtas para ‘a’ e ‘i’] A primeira deriva de uma raiz que indica propriedade e posse [o Dono]. Por outro lado, a segunda se refere àquele que detém domínio e autoridade, sem necessariamente possuir seus elementos individuais. [o Rei]
[Embora a recitação Mālik seja mais amplamente conhecida,] “Malik” foi recitada por um maior número de mestres das primeiras gerações."
Ambas as pronúncias, “Mālik” e “Malik”’ possuem argumentos que as sustentam, e os dois significados de soberania são intrinsecamente atribuídos a Deus, Exaltado seja.
No entanto, de acordo com a linguagem e o uso comum, o termo "ملك" (o reinado) está frequentemente associado ao tempo. Por exemplo, diz-se "o rei de determinada era", mas não "o dono de determinada era ", a menos que se faça um uso figurado ou interpretativo menos usual.
Nesse versículo, Deus associa o domínio divino ao Dia do Juízo. [reforçando assim a recitação de “ملك, Malik”].
Da mesma forma, em outra passagem, afirma-se: "لمن الملك اليوم؟ لله الواحد القهار", "A quem pertence a soberania, hoje? A Deus, o Único, o Dominador Supremo". (Sura Gáfir, 16), o que fortalece ainda mais a conexão entre a soberania absoluta e o tempo. [constituindo outro argumento em favor da pronúncia “Malik”].
[Nota: Essa análise é um parecer interpretativo de Allama Tabatabaí, no entanto, na oração, devemos seguir a posição jurídica de nosso Marjaʿ; autoridade religiosa.]